quarta-feira, 29 de setembro de 2010

G de tango

É insanidade, não há qualquer sombra de dúvida.

São duas da manhã e cheguei agora casa. Estou sentada na minha cama a rabiscar estas palavras numa folha de papel, que agora transcrevo; não trouxe o portátil e não quero, não consigo, deixar de registar tudo que experienciei nestas últimas 3 horas.

Vou passar por cima de todos os pormenores de como conheci o G, há quanto tempo e quem é.
O que te quero contar... é que hoje fiz amor a dançar tango.

Foi uma sugestão que rapidamente passou a desafio e, sendo eu louca (comprovo acima e no decorrer deste texto), aceitei ou até na concordância, estimulei.

Faz forward, esquece as perguntas que lhe disparei para perceber o que se passava ali, se me estava a engatar, da diferença de idades, do objectivo, das segundas intenções, do porquê.
Nada disso interessa.
Se o G já anteriormente sugeriu o mesmo a alguém também não interessa.
A mim nunca me passaria pela cabeça aceitar um convite para dançar tango em casa dele; mas aceitei e isso também não interessa.

What really matters, e que quero guardar nestas palavras foi o flirt, a emoção e sensações, o quente da sua pele e da respiração, do toque das suas mãos no meu corpo, do seu olhar terno e desejável…enquanto dançamos tango.

É certo que ele é iniciado e eu nem aí chego mas não me vou preocupar ou desculpar com a expressão “dançar tango”. Estamos a dar passos de dança, a música que se ouve é de tango…que se lixe, era tango que dançávamos.

Ao falar do G, deixa-me dizer que estamos a falar de um homem que me estimula intelectualmente, que usa conjugações como “lembrar-te-ás” ou “dir-te-ia”, expressões como “não é bom, nem é mau, é o que é” ao mesmo tempo que me faz rir com qualquer disparate; interessa-se por fotografia, culinária, arte, viagens, dança, desporto; replica obras de arte e, mais espirituosa que modestamente, afirma ficar pouco aquém do original; que fala russo e mandarim e me envergonha com o meu francês; que tem olhos verdes e pestanas longas.

Ao som do tango… sinto na sequência de puxadas e rodadas, que o meu corpo reage ao sentir a boca dele tão próxima da minha, os braços a envolverem-me, o respirar na minha orelha, as mãos, pernas, braços…a envolverem-se com as minhas e meus.
As nossas coxas endurecem, relaxam e roçam-se ao longo da execução dos passos; o toque das mesmas com a tensão muscular nas mãos e braços para equilibrar e guiar o meu corpo, ao mesmo tempo que aproximamos e afastamos as faces, trocamos olhares intensos com aparente desconforto e esforçada concentração na minha aprendizagem…

Finalmente, a loucura da situação impôs-se, porque foi a primeira vez que estive com o G, e compeliu-me a insistir que tinha de ir embora.

Ao chegar a casa, passou-me pela cabeça ligar-lhe a convidar para ir ter comigo; mas não o fiz. Ao invés, procurei uma folha de papel e tentei descrever com o ridículo conhecimento da língua portuguesa que me assiste – e que fica seguramente somenos à emoção sentida – o final desta noite.

Arrisquei uma aventura e ganhei momentos que fazem a vida; que guardarei na memória e orgasmaticamente no coração!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

blind-date com mediadora

Desde que estou separada, ou melhor, desde que estou resolvida que tenho vindo a ter a oportunidade de conhecer pessoas novas e maravilhosas. Aprecio este princípio de não negar à partida um homem que se desconhece…

É claro que aplico alguns filtros à partida, atenção!! Não vou sair com o agarrado do parque de estacionamento ou com…. o… o..… agora assim de repente não me lembro de mais ninguém..

E esta minha abordagem, estratégia, ou simplesmente insanidade proporcionou-me o meu primeiro blind-date, que tive hoje o prazer de experimentar.
E o que me levou a aceitar o seu convite foi o maravilhoso e-mail que me enviou e que revelou todo o cuidado, carinho (ou desespero?) e tempo que dedicou ao mesmo.

Com a sua autorização, e num voto totalmente cego de confiança, partilho contigo as palavras que me escreveu.
Vê se não é de qualquer uma se derreter….


 
Olá (rasurado)!
A Madrinha (chamemos-lhe apenas a M), teve a amabilidade de te “apresentar”, eu fiquei encantado com a ideia de te conhecer e tu mostraste a tua fibra e não recuaste diante do desconhecido. Promissor não achas? J
 Digamos que não é a forma mais tradicional de conhecer novas pessoas, mas é uma forma, é um caminho! E elegantemente arranjaste um modo de trocarmos algumas impressões sem ter que enfrentar um constrangimento inevitável.
 Aqui o constrangimento é encontrar o registo certo e fazer uma apresentação sem cair… em clichés
“adoro divertir-me, estar com os amigos, viajar…”

ou no anúncio
“sou um jovem, descomprometido, de bem com a vida,…”

ou no telegráfico
“Tenho 39 anos, sou divorciado, tenho um filho de 7 e trabalho como analista de negócio no sector bancário.”

ou no gosto/detesto
“gosto de pessoas sinceras, com sentido de humor, positivas e descomplicadas, detesto de falsidade, mesquinhice e inveja.”

ou na escolha única
“uma musica: One, U2
um livro: O memorial do convento, Saramago
uma viagem a fazer: Patagónia
uma cidade a visitar: NY
lema: ‘vive e deixa viver’”

ou em demasiados detalhes
“Cresci numa aldeia onde fui criado até aos 7 anos pelo meu avô Leitão – bem, não era meu avô mas para mim era como se fosse, e foi para mim uma pessoa muito importante, bonito por dentro e por fora, com imensas histórias para contar e que me ensinou a ler, escrever, pescar, caçar, nadar…”

ou no exagero
“o Mark Tawin baseou-se na história da minha infância para escrever o Tom Sawyer”

ou no filhocentrix
“o meu filhote chama-se (rasurado) e está no 3º ano, é um miúdo muito querido, traquinas qb, dócil e feliz, transmito-lhe muito amor que é retribuído em dobro, temos uma excelente relação!”

ou no CV
“licenciado em gestão, com pós-graduação em gestão de projectos e certificação pelo PMI, com vasta experiência em consultoria nos sectores financeiro e telecomunicações.”

ou na afirmação-pergunta
“Adoro bolo de chocolate! E tu?”

ou no tédio
“blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá,…”

ou em indiscrição
“e tu, conta-me tudo!”

e sem te fazer bocejar.

Felizmente que tens aqui um tipo que é nos grandes desafios que mostra o seu verdadeiro potencial e que obstinadamente procura sempre um caminho próprio.
E foi assim, surpreendentemente e sem dares por nada, que te fiz a minha apresentação, tudo o que disse atrás é verdade – excepto aquela do Tom Sawyer – Atenção, não confundir este género com o “é bom, pois foi?”!

O objectivo era também arrancar-te um sorriso, espero que o tenha conseguido e que tenhas um bom dia e bom início de semana!

Beijinhos,
(rasurado)

mergulho

Hoje recebi um e-mail muito especial. Avisaram-me que assim seria e de facto, assim foi.
Especial porque expressa um tormento de sentimentos e emoções intimas vindos de uma pessoa, que apesar de não me ser muito próxima, tem-se vindo a aproximar.

Logo hoje que te queria falar de um amigo meu e da sua erecção que chega ao umbigo, que tive o prazer de constatar, acabo por ter o pensamento e o coração ocupados com o e-mail que recebi.

A problemática não é original e atinge-nos a todos, mais dia menos dia. O que fazemos depende da nossa personalidade, das experiências que nos moldaram, da educação que os nossos pais nos deram e, basicamente do nosso carácter.

Acredito que a honestidade é o pilar de qualquer relação e, cliché ou não, certamente que concordarás comigo; quer seja entre amigos, entre amantes, entre pais e filhos, inclusive entre relação prestador-de-serviço e cliente. No entanto, por vezes, por muito que sejas honesta a mensagem não é totalmente compreendida; ou porque o emissor não se expressou da melhor forma e o cuidado de não magoar, alterou o sentido e o objectivo da mensagem, ou porque o receptor - não sendo de todo burro - guarda, no seu intimo, um desejo, uma esperança que a coisa se transforme e que o outro acabe por mudar.

O meu amigo, que escreveu o e-mail especial, não está preparado para se entregar numa relação. E isto, é um facto.
Posto isto, e não obstante, resta dizer que iniciou uma relação (e por relação entenda-se amizade, proximidade, sexo, foda - é diferente da anterior, paixão, namoro, whatever) com uma pessoa que está livre ou ansiosa de se relacionar com ele.
Isto, assusta.
Claro.

Mas então o que fazer?
Abordar a rapariga e dizer-lhe "tem calma, não me telefones, eu telefono" e deixar passar uns dias para perceber melhor o que se passa? É certo que esses dias vão provocar dor na dita mas pode ser o suficiente para arrefecer a coisa... Na minha opinião? Não se faz!

Aproveitar a dádiva, de ter uma amiga ou uma boa foda (se for o caso), descontrair e aproveitar o máximo que se possa, não revelando os seus receios, até que um dia se perceba afinal o que se quer? Na minha opinião? É cruel; dá-lhe a ilusão que estão a viver um grande amor, permite que ela se entregue e na realidade, qualquer dia pode sair fora, sem aviso prévio; não o faças!

Então.. e porque não me ocorre mais nenhum cenário, volto ao pilar da relação: honestidade. Na minha opinião? (e atenção que as opiniões valem zero!!!) Falar com ela. Explicar-lhe que tem de perceber as suas emoções, os seus receios; que traz bagagem; que este novo caminho ainda não o percorre totalmente seguro de o querer fazer; que pode eventualmente querer voltar atrás ou mudar de percurso; que entende o potencial da relação, que se sente grato pelo carinho e entrega manifestadas mas a desilusão ainda o acompanha, apesar de resolvida; que se sente condicionado pela dor passada e que isso condiciona a sua própria entrega; que, caso ela esteja disposta a aceitar e a arriscar, será uma relação desequilibrada; em suma, conversar com ela.
É verdade que no fundo, apesar de as suas palavras serem totalmente compreensíveis, ela pode acreditar que com o tempo e o amor que está disposta a dar, que ele pode mudar. E sabes? isso pode realmente acontecer; se assim for, ficarei contente por ele; senão, e se ele ficar bem, também ficarei contente por ele. O importante, e que ninguém lhe tira, foi ter sido honesto com ela; não simplesmente sincero, honesto!

De uma forma ou outra, what really matters é olharmo-nos ao espelho, percorrermos o nosso rosto com o olhar, adivinharmos a alma que guardamos e sentirmos orgulho de quem somos.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Por falar em sapatos


Estes foram os escolhidos para o evento.

Foto-reportagem da minha aventura no trail

Trilhos por onde andámos


A vista do ponto mais alto



Quedas de àgua (Fraga da Pena)

Pontes


E mais trilhos


As imagens são da inteira responsabilidade do meu "treinador".

domingo, 26 de setembro de 2010

borga T?

Eu e a T no carro, a caminho do baptizado, com os nossos filhos atrás, entretidos à procura de algum sinal de festa.
Olhamos uma para a outra e em simultâneo assentimos na falta de ânimo.
- agora enfrascava-me...
- docas? - desafio-a sem esperar resposta.

Prosseguimos o caminho e chegamos ao local da festa; estaciono, saímos e a T fuma um cigarro; continuamos a olhar uma para outra, sem vontade de ir e combinamos que voltamos cedo para minha casa, onde ela deixou o carro.

Na festa não temos ninguém para descansar a vista, à excepção de um bebé de 25 anos, irmão de uma amiga nossa. A falta de entusiasmo é tão grande que só comentámos no final, em jeito de confirmação:
- viste alguma coisa de jeito?
- nada..

Cumprimos o nosso dever, vigiámos as nossas crianças, bebemos coca-cola, fizemos conversa e desejámos rápidas-melhoras e boa-viagem.
O investimento do vestido, sapato de agulha, penteado, manicure e pedicure resumem-se a umas horas de divertimento por parte das crianças.

Esta cena é quase tão frustante como escolher uma lingerie que, ao ser despida, nem sequer é reparada..

Prazer de correr

Foi muito bom, espectacular, adorei!
Antes de mais quero explicar-te que o trail running é basicamente corrida por trilhos de montanha, acabamos por andar por zonas lindíssimas, de dificil acesso e que por isso escapam à maioria dos visitantes.

Fizemos 250 km até à na Benfeita perto de Coimbra para correr 10,km em 2h15.
Para teres uma ideia, quando vamos treinar na marginal fazemos 7km em 50 minutos, é claro que os profissionais destas provas correm o percurso todo, segundo me disseram, mas eu ainda não tenho treino suficiente para isso (ainda .... ).

O V. ia a fazer de treinador, “pisem com o calcanhar”, “cuidados com estas lages” … fartou-se de anunciar a todos que era a minha estreia, estava orgulhoso.

É muito mais estimulante do que correr em alcatrão, andamos a oscilar entre as subidas em que esforçamos os gémeos e as descidas em que esforçamos as coxas e umas corridinhas pelo meio para descontrair as pernas.

Andámos sempre acompanhados pela Françoise que também era novata nestas provas, deu para correr, andar, apreciar a paisagem, cair (nada de grave, só tenho a mão negra) e até comer amoras pelo caminho.

Todos deviam experimentar uma prova destas, mesmo que o façam na desportiva, sem pensar em resultados, vale a pena só pela experiência.

Amanhã vou tentar colocar fotos para te mostrar o percurso.

Estou muuuuuuito cansada e como dizia o poeta” dói-me a cabeça e o universo”, mas é um cansaço bom, prazeroso.
O que é preciso para fazer vida disto?

há manhãs perfeitas

Hoje fomos dar uma voltinha de bicicleta na marginal. Eu de calções e boné e a minha pequenina, no assento que mandei fazer atrás, de capacete, calças de fato treino, casaco, ténis e óculos de sol. Vou sempre no passeio e peço à D que se segure bem pois, com a confiança já só vai com a uma mão a agarrar-me a t-shirt.
Enquanto a D canta "domiiinó é p'ra jogaar, rééégua é p'ra mediiirr, miii..nas são p'ra explooorar, ...." eu perco-me nos meus pensamentos....

Está vento mas o sol ainda convida o passeio na praia e as pessoas aproveitam para os últimos banhos de sol, torneios de futebol, surf, caminhadas, ou simplesmente tomar um café na esplanada.
A D convence-me a ir molhar os pés nas "piscinas" que a maré vaza deixou; convence-me também a tirar-lhe a roupa toda à excepção da cuequinha do ruca; corre, começa por salpicar-se até que acaba por ficar toda molhada; não me importo.. está tão contente.

São coisas tão simples... e dão tanta alegria a uma criança; a minha filha linda..

Olho à volta e congratulo-me pela vida que alcancei; pela liberdade que possuo: financeira, social, familiar.... os amigos maravilhosos que tenho, a minha familia, pela ideia de comprar uma bicicleta em 2ª mão e fazer algum exercicio, por uma casa com paredes pintadas, ter poder de escolha, por ter orgulho, providenciar educação à minha filha, de ser amiga e generosa, de querer viver.

Voltamos a casa, não sem antes pararmos no jardim nas traseiras da nossa casa e a D oferecer-me uma flor; abrimos a porta e a D fica entusiasmada com o cheirinho da canja que comecei a fazer de manhã.
Tomamos banho juntas, e abraçadinha a mim, com a água quente a correr nos nossos corpos, diz-me que quer ficar sempre assim; a minha filha linda...

Agora vamos comprar massa de letras.

palavra, palavrinha, palavrão

Tu sabes que eu antes não era nada de palavrões. Mas agora... ando com um gostinho especial; sabe-me bem!! por vezes, a única forma de descrever realmente algo é com um verdadeiro palavrão. E verdadeiro porque há daqueles a ameaçar mas na realidade não o são, tipo vai-levar-lá-no-sitio; .. no sitio? Oh pá... vai-levar-no-cu-caralho-te-foda!! agora sim! já deitaste tudo cá para fora, e podes seguir a tua vida de cabeça inclinada!

Juro que antes não era assim!
E isto começou com a T (que é do Porto, e isso explica muita coisa) que entre nós.. dizia com cada uma...
o pessoal achava graça e tal mas ninguém repetia; aliás, só à T é que ficavam bem aqueles palavrões; e se fosse preciso justificá-la, tínhamos a desculpa de ser do Porto, lá está!

Agora é cabrão para a frente, cabrão para trás! é a melhor forma de descrever alguém que não podes ver nem pintado. Se lhe tiveres um pó de morte, podes dizer cabrão-de-merda ou ainda cabrão-de-merda-caralho-te-foda! ahhhhhhhhhh...... assim sim!

E fazer o dedo? Juro que o fiz na vida duas vezes! as tentativas anteriores eram uma desgraça e trocava-me toda com os dedos; mas assim que me senti preparada, inconscientemente, o dedo estica-se-me da mão com toda a naturalidade e espeto-o à frente de quem bem merece: o M que andava a passear de mão dada com a namorada no dia seguinte a querer se enrolar comigo, e a uns parvalhões que passaram de carro a gesticular a língua!

ah M, que ganda melão o teu!!! caralho-te-foda!!

sábado, 25 de setembro de 2010

Silêncios

Estamos sozinhos em casa em preparação para a prova de amanhã que fica fora de Lisboa.
Não consigo evitar o cliché, mas faz-me imensa confusão a casa estar assim silenciosa.
Sinto falta das vozes e dos risos das minhas pestinhas, apesar de ainda esta tarde me terem conseguido tirar do sério várias vezes com as discussões constantes.

Agora vou-me deixar de tretas e aproveitar o tempo a dois :)

Amanhã volto para te contar como correu a minha primeira prova de Trail!!!!


Capitão, posso saber como é que chegou até nós?

ice-flour-tea

- Mamã!! trouxe-te um ice-tea e já enfeitei e tudo!!!
- ahhhhh......que boommm filhaaaa....






anúncio

- Mamã tens de pedir ao Papá para pôr uma sementinha na tua barriga para eu ter uma mana..
- mas filha, tu sabes que o Papá já não é namorado da Mamã...
- mas tens Mamã, tens! então pode ser outro namorado.
- oh querida, mas primeiro tenho de o encontrar e tem de ser especial; onde é que vou encontrar um namorado especial para viver connosco?
- Mamã, não sei, no supermercado, na praia...tens de procurar!


"Procura-se homem para relação séria e duradoura, amigo, bem-disposto, companheiro, altruísta, generoso, carinhoso, bom na cama, capaz de amar incondicionalmente mulher madura e criança como se fosse sua, isento de capacidades egoístas e imaturas,.. ".. de certeza que há disto por aí ao pontapé...!!

Conversas com a M

Hoje ao jantar falámos sobre a M. se ter portado menos bem na natação porque não lhe apetecia fazer o que a professora mandava.
(...)
- aquelas placas estavam maduras e magoavam-me os braços - diz-me a justificar-se
- maduras ? como assim?
- sim, maduras - repete já a ficar irritada
- não percebo, dá-me um exemplo de uma coisa madura.
Levanta-se da mesa e volta com um livro na mão.
- Este livro, vês, é maduro mas é fofinho
:)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

tenho sede!

Em conversa com uma amiga minha sobre gaijos, diz-me que desde que me separei que estou mais interessante.
E aquilo, que ficou por ali mesmo... ficou a remoer...e passou de uma leve observação a uma incómoda e persistente pergunta: estarei de facto diferente?

E sabes..estou. Mas não mais interessante; interessada! viva; desperta; curiosa; sedenta! de pessoas, de experimentar e conhecer, ousar e surpreender. de viver!

E olhando para o meu reflexo no espelho de um passado recente, custa-me a admitir que não era feliz. E não sabia. Não me atrevia a questionar a minha vida. E porquê? Porque estava sempre à espera e essa insatisfação, pensava eu, era natural. Se ele estava fora, eu esperava. Se ele tinha de estudar, eu esperava. Se ele estava cansado, eu esperava.

Agora..agonia-me esperar para concretizar seja o que for. Tem de ser agora; tem de ser neste momento; tenho de saber e conhecer e viver já! tudo! tudo que me é devido; tudo pelo que afinal esperei e no fim... não chegou.

A minha receptividade é tão intensa, que se sente, que se materializa numa nova projecção do meu eu.

acne

Tenho um ex-amigo colorido aqui entranhado na pele tipo ponto-negro.
Mas qualquer dia extraio-o à força! Vai com exfoliante e máscara-de-argila tudo à mistura, mas que sai..sai!

É daqueles amigos que só é amigo dos seus amigos e não sendo meu amigo....

Não estou interessada.
Thank's but no thanks.

Para todas as mães

Descobri este video lindo.
http://www.reflectionsofmotherhood.com/ (não consegui carregá-lo).
Perguntaram a várias mães o que diriam a si mesmas, se pudessem voltar atrás, antes de terem o primeiro filho :)
Eu revejo-me nestas respostas:
- This too shall pass
- You will make mistakes
- Nobody really knows what they're doing
- You are about to meet true love
- Sleep now
E tu?
(É certo que é lamechas e nem parece meu, justifica-se pelo adiantado da hora)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

J o bufo

Hoje telefonei à directora da escola de onde a minha D saiu este ano, a perguntar se podia levar o filho e fazer uma surpresa à D na escola nova.
É que a D adora este menino e são, segundo ela e ele, namorados.

Ora a caminho da escola, com o pequenote lá atrás faço conversa:
- então J brincaste muito hoje?
- sim! sabes que a D já me deu beijinhos na boca?
- ah sim?! (QUÉÉÉÉ?!?!?)
- sim, já conseguiu dar-me um beijo na boca e dois nas bochechas. E o M está sempre a dizer "vamos brincar aos beijinhos na boca"!!
- então mas vocês ainda são pequeninos para darem beijinhos na boca.... (SE EU APANHO ESSE TAL DE M!!!!)
- pois é; ele é que está sempre a dizer isso; eu não digo nada..

JASUS!!!
Será que daqui a uns anos a história repete-se e há um gaijinho qualquer que me diz que a minha filha já lhe tirou a virgindade...??

Tigresa, Tigresa!

Os primeiro sapatos são mais giros, mais fashion, mais tcharan ... mas é claro que depende do tom de castanho.
Agora tens de mostrar o vestido :)

FO..

..DA-SE! Mas será que uma rapariga não pode ir correr para a marginal sem levar com buzinadelas e com os máximos na cara?!?!?

É que as buzinas assustam, parvalhões de merda!!!

É só um par de seios a abanar, it's not a big deal!! xiiiiiçaaa!!

...
(vou tomar banho a ver se isto me passa...)

vida de campo

Os meus Pais vivem no campo.
Ainda têm a sua casa em Lisboa que a visitam sempre que têm consulta no médico. Fora isso.. lá está a ganhar pó e a desvalorizar.

De tempos a tempos visito os meus Pais.
Que vivem no campo.

Chego lá, grande festa, muitas saudades, como-vais-filha-estás-boazinha, está-tudo-bem-e-com-vocês, por-aqui-está-tudo-na-mesma e... assim é.

A minha Mãe faz as minhas comidas preferidas. Aquelas que não faço em casa: frango frito e pataniscas de bacalhau.
Ah, e sobremesas. Muitas!
E claro, não posso deixar restos. E claro, vai-se queixar que tem de andar a semana toda a comer as sobremesas que fez e eu não comi.
"Mãe, não comi porque fizeste sobremesas para um batalhão, só isso. Mas levo para casa e como durante a semana sim?...pois, na realidade, não.

Nesse fim-de-semana, os meus Pais fazem tudo para me sentir bem. Se for preciso, a minha Mãe leva-me o pequeno-almoço à cama (eu é que não deixo) e o meu Pai só faz barulho com o tractor depois das 8:30 (tendo em conta que está acordado desde as 6:00...admiro o esforço!).

E pomos as novidades em dia, claro está: a vizinha já matou os coelhos, estão a construir uma casa no monte acima, a mercearia não tem a manteiga que eu gosto, o meu Pai andou constipado mas agora está melhorzinho. E isto com a minha Mãe sempre de um lado para outro. Incansável. Com a comida, e a roupa, e os animais, e regar as flores, e a carrinha da fruta, e o bolo para vizinha, e o petisco-para-o-teu-Pai-levar-para-os-amigos-da-sueca. Sempre com um sorriso.

Visitar os meus Pais é mesmo como passar um fim-de-semana no campo. Depois de sentires a calma, de respirares fundo o ar puro... sentes vontade de voltar ao corre-corre da cidade.