domingo, 15 de maio de 2011

para todos os Flippers

Há apenas duas semanas realizei o sonho da minha menina de 5 anos. Um sonho que, devido à sua tenra idade, nasceu o ano passado quando passámos férias em Punta Cana.
O sonho era nadar com os golfinhos e este ano, em terras mexicanas tivemos essa oportunidade.

Ao comprar o bilhete tinha duas opções: a interactiva e outra completa onde podias nadar com os golfinhos e seres impulsionada na água por eles. Optei pela interactiva, mais simples, mas suficiente para realizar o desejo da minha menina.
Na altura perguntaram-me o porquê da minha escolha e eu respondi que, à semelhança dos circos e dos zoos, sempre tive um sentimento controverso de apesar de apreciar a beleza dos animais, não conseguir esquecer a realidade da captura e do fim da liberdade no seu habitat natural; incomoda-me o facto de ver leões, focas, cavalos, orcas... animais majestosos a comportarem-se como cãezinhos amestrados.

Durante a sessão interactiva - estamos na piscina com água pela cintura numa plataforma - podemos fazer perguntas ao treinador. Entre sexo, idade, alimentação e velocidade, eu fiz a pergunta incómoda de "acha que eles são felizes?"
O treinador devolveu-me a resposta politicamente possível: não podem avaliar o estado de felicidade do golfinho mas como uma pessoa que se sente deprimida se ficar em casa sem nada para fazer, que procuram manter os golfinhos ocupados com exercícios e interagindo com os treinadores.
Eu ainda pensei em insistir no facto de serem 5 machos numa piscina, se um dia iriam procriar, se foram capturados ou provenientes de outros parques aquáticos mas.. a primeira resposta foi suficiente incómoda para não me atravessar.

Curiosamente, assisti hoje a um programa sobre o filme oscarizado "The Coves" http://vimeo.com/5328118; Ric O'Barry  foi o responsável pela captura de 5 golfinhos na década de 60 que eram utilizados na famosa série de TV, Flipper. Diz ele que o golfinho, ao contrário do ser humano, tem uma respiração consciente e um dia, Flipper num acto de suicídio lançou um ultimo fôlego e morreu nos seus braços. Quando Ric o largou, Flipper afogou-se na piscina que era na altura o seu lar.


Hoje é um conhecido activista, recebendo ameaças de morte e proibido de entrar em alguns países. Foi, com uma máscara a esconder-lhe a cara, com microfones e câmaras escondidas, e voluntários com capacidades especificas, que filmou a cena horrenda da captura e chacina de milhares de golfinhos em Taiji, no Japão.

Eu já aderi ao movimento e tu também podes em http://www.savejapandolphins.org/.

2 comentários:

  1. Amiga,

    Este vosso blogue faz-me bem. Gosto de ler duas mulheres, sem preconceitos, em constante partilha e exorcismo. É no quotidiano - e na dinâmica, às vezes tão dormente, do dia-a-dia - que vivemos as felicidades e as tristezas, atingimos objectivos e fazemos merda. O mundo dos blogues permite que, sob um anonimato mais que merecido (já temos de transportar as responsabilidades inerentes à identidade todos os dias, cum catano, há que ter um momentinho de catarse!) possamos dizer tudo o que nos vem à cabeça.
    Adoro a ideia. Já tive um blogue e fui desistindo, passou-se-me a erecção intelectual que é precisa para o ir mantendo. Convosco tenho recuperado essa vontade.
    E, amiga, esta coisa dos golfinhos.... nem te digo nem te conto. Estou gelada!

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